Quinta-feira, Dezembro 30, 2004

O que sao as saudades?

Existem as saudades brancas da infância, as
saudades de cores berrantes da adolescência…Saudades. Para mim as saudades têm
cores. São da cor que eu quero e que me apetece.
Às vezes, e por mais feliz
que me possa sentir, tenho saudades do passado. O passado que não quer nem pode
voltar. O passado que um dia foi presente e que agora vive alimentado das
lembranças e daquilo que já foi. As lembranças, essas, ainda vivem cá dentro e
dificilmente se apagarão. O que se deixou apagar foi o sentimento, a emoção e
todas as outras coisas que vêm sempre por arrasto.
E é claro que esse
passado tem vários nomes, varias moradas, vários anos. O passado pode chamar-se
Sara, Rui, 9ºano, Tiago, molduras, Joana, livros, roupa. Bolas, as saudades
podem ser tantas e de tanta coisa.
E eu sinto a falta de muita coisa que
passou por mim, muita coisa por que passei, muitas pessoas com quem vivi e que
aprendi a amar e a respeitar. E essas pessoas que não se enganem, que não pensem
que lá por não lhes falar que não gosto delas, porque gosto e gosto muito e vou
gostar sempre. Porque essas pessoas foram tão importantes, tão presentes na
minha vida e no que senti que nunca poderiam ser apagadas, da mesma forma que os
momentos a que pertencem o foram.
E cada uma dessas situações merece uma
cor. Umas mais claras, outras mais escuras, outras berrantes. Mas sempre cor.
Nunca uma saudade (pelo menos as que sinto) poderia ser a preto e
branco.
E é por isso que eu acho que sentir saudades é bom e faz bem.
Porque só sentimos saudades daquilo que vivemos e gostámos de viver, daquilo que
gostamos de recordar, e que por isso mesmo faz saudade. Só as pessoas
importantes, só as melhores ocasiões, só os melhores momentos merecem ser
recordados com carinho.
O que foi, já o era. Já passou. Já não volta atrás.
E se voltar, trás outro rosto, outro corpo, outra voz, outro cheiro. E às vezes
corremos atrás do que vivemos e procuramos noutra pessoa aquela que não quis
fazer parte do nosso presente. Mas todos essas pessoas que foram presente e não
são futuro, são insubstituíveis e todas elas têm a sua cara, o seu corpo, o seu
cheiro, a sua cor. E ficarão para sempre gravadas cá dentro. Do lado esquerdo do
peito.

Pérolas e relógio

Porque somos femininas. Não me pode faltar o relógio e o fio. O relógio conta os nossos dias; os dias que eu penso em ti e, o colar de pérolas brilhantemente puro...esse é o nosso s�­mbolo. Cai-nos na pele e faz trocas térmicas com o calor do corpo. Agarro-o com força, mas, ás vezes, com a raiva, distendo-o e as bolas voam loucas pelo ar como que sentimentos fora do lugar. Depois, caem no chão e rebolam até encontrar um canto como barreira. Lá fica o colar desfeito enquanto passam as horas. E quando o ponteiro aponta as três horas e meia da tarde, as bolas juntam-se. Umas fora do lugar inicial...outras, por sorte, conseguem mantê-lo. Contudo, a pouco e pouco as bolas vizinhas vão-se conhecendo. Enquanto os ponteiros percorrem a área circular, novas bolas se rejeitam e novas bolas se aceitam. Primeira foto do novo blog, porque as coisas entre nós desenrolam-se assim, simplesmente..assim. Elas só pedem um pouco de açucar em chocolate e chocolate com açúcar. Açúcar